segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Pungente

Há a vontade de sublimar por causa do tempo
A hora do adeus é pungente
Meus olhos esbarram na madeira
E eu te olho cego

A água cai no rosto
E a ânsia me expulsa pra fora de mim mesmo
E a ânsia me empurra pro desconhecido
A ânsia me faz encobrir seu rosto
Com os meus dedos
Te sufocar é pungente

A luz machuca os olhos
Eu procuro a claridade sonora
Uma janela aberta de sons
Uma voz que me guia pela escuridão
Uma mão que cure a deficiência

A obsessão abre o livro
Não saber ler é pungente
Há dentro de cada palavra
Infinitos espaços entre cada letra
Infinitas nuanças dentro de cada timbre
As primeiras palavras talvez façam sentido
Mas eu já despenquei no abismo dessas páginas

Roxo, vermelho, bolas brancas
Um pequeno rosto, uma pequena palavra, uma esfera dourada
As escuras bolas que me expulsam do desconforto acumulado
Que penetram nos meus olhos
Já ouve dor em se olhar dentro

As horas já passaram
E a ânsia me leva à agonia
Não esculpir o tempo é pungente
Não moldar o universo me leva à agonia.

As horas passam
As freqüências aumentam

E, de repente, já não há mais pungência.